Pardais



A janela está molhada. Estou no quinto andar, e daqui posso ver lá ao fundo, um açude. Chove, mas ainda faz calor. Talvez a gente pudesse deixar o dia passar sem pensar em nada, mas até para o nada, há de que se pensar. Pardais. Passaram pardais em frente a janela. Dessincronizados. Mas quem não é? Meu relógio marca 11:05. O computador, 10:54. Quem está certo? Talvez o do pulso, talvez o computador, talvez os pardais que voam pra se abrigar da chuva, ou talvez eu, que caio pra me abrigar de mim mesmo. Quantos minutos para o almoço? Quem sabe...  pra viver,  pra voar, pra cair, pra pensar. Voar como os pardais, cair como a chuva, viver como alguém, pensar como ninguém. Um gole a mais de café seria muito bom, mas esfriou. Não o tempo. O café. Pois ainda está quente. Não o café. O tempo. A janela está molhada. Lá ao fundo vejo um açude. Olha só! Pardais.

13/02/2020

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